Saúde mental na Atenção Primária: a percepção do enfermeiro na organização do cuidado e suporte assistencial

A saúde mental tem se consolidado como uma das principais demandas na Atenção Primária à Saúde, exigindo dos profissionais de enfermagem competências que articulem cuidado clínico, acolhimento e organização do processo assistencial no território. Nesse contexto, a enfermagem assume papel estratégico na coordenação do cuidado, na escuta qualificada e na articulação com a Rede de Atenção Psicossocial. Entretanto, desafios relacionados à sobrecarga de trabalho, fragilidades na integração entre os serviços e limitações estruturais podem comprometer a resolutividade das ações em saúde mental na atenção primária. Diante desse cenário, o presente estudo tem como objetivo compreender a percepção dos enfermeiros da Atenção Primária à Saúde de um município no sul de Santa Catarina sobre a organização do cuidado e a execução da assistência em saúde mental no território. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, desenvolvida com 12 enfermeiros atuantes na Estratégia Saúde da Família. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com profissionais que possuem experiência mínima de seis meses na atenção primária do município, buscando compreender percepções, práticas e dificuldades relacionadas ao atendimento de usuários em sofrimento psíquico. Os dados foram analisados por meio da técnica de análise de conteúdo temática, que permitiu identificar categorias relacionadas à organização do cuidado, às estratégias assistenciais e às barreiras institucionais enfrentadas pelos profissionais. Os resultados confirmam uma grande sobrecarga de trabalho e acúmulo de funções, o que torna o cuidado mecânico, compromete a escuta qualificada e acaba levando ao adoecimento das equipes. Além disso, nota-se a insuficiência da educação permanente por parte do município, a escassez de protocolos bem definidos e uma tendência à medicalização. Como enfrentamento, as enfermeiras utilizam o vínculo com pacientes e Agentes Comunitários de Saúde para melhor coordenar o cuidado. Assim, conclui-se que há um descompasso entre as diretrizes de humanização e a realidade do serviço, fazendo com que a assistência dependa majoritariamente do compromisso ético e da intuição profissional. Logo, evidencia-se a necessidade de estudos futuros sobre a prevalência de Burnout na atenção básica, a perspectiva dos usuários sobre a medicalização e a efetividade real do matriciamento com os CAPS.

Descrição

Trabalho de Conclusão do Curso apresentado ao Curso de Enfermagem da Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC, para a obtenção do título de Bacharel em Enfermagem.

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Organizador

Coordenador

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