A atuação do enfermeiro na redução da mortalidade neonatal: A importância do pré-natal na Atenção Primária à Saúde
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Este estudo tem como objetivo compreender o impacto da atuação dos enfermeiros
na assistência pré-natal e sua contribuição para a redução da mortalidade neonatal
na atenção primária à saúde (APS) do município de Criciúma, Santa Catarina. A
pesquisa justifica-se pela persistência da mortalidade neonatal como um desafio
relevante para a saúde pública brasileira, especialmente entre populações em
situação de vulnerabilidade. A assistência pré-natal, quando realizada de forma
qualificada, permite a identificação precoce e a prevenção de riscos gestacionais,
favorecendo melhores desfechos materno-infantis. Nesse contexto, o enfermeiro,
respaldado legalmente e com autonomia para conduzir o pré-natal de baixo risco,
desempenha papel estratégico na promoção da saúde da gestante e do recémnascido.
Trata-se de uma pesquisa qualitativa, descritiva e de campo, com coleta de
dados realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com enfermeiros atuantes
nas unidades básicas de saúde do município. Os participantes foram selecionados
com base em critérios de inclusão, exigindo experiência mínima de seis meses na
APS. O estudo foi conduzido em 10 unidades previamente escolhidas por
apresentarem o maior número de gestantes cadastradas, garantindo representatividade e diversidade dos dados. O instrumento de coleta foi estruturado
em seis eixos temáticos: perfil da equipe de saúde; práticas e estratégias no prénatal;
desafios na assistência; vínculo enfermeiro-gestante; melhorias nas
intervenções de enfermagem; e impacto no indicador de mortalidade neonatal. A
análise das entrevistas revelou aspectos centrais da atuação profissional. Os
enfermeiros apresentaram diferentes níveis de experiência, variando de um a onze
anos, o que favorece a troca de saberes e a continuidade do cuidado. Relataram
práticas como escuta qualificada, busca ativa, educação em saúde, realização de
grupos de gestantes e adesão aos protocolos municipais. Entre os principais
desafios, destacaram-se a baixa adesão das gestantes, escassez de profissionais,
limitações no acesso a exames e encaminhamentos, além da necessidade de capacitação contínua. O vínculo entre enfermeiro e gestante foi apontado como
essencial para fortalecer a adesão ao pré-natal e promover uma assistência mais
humanizada. Os profissionais sugeriram ajustes para qualificar o cuidado, como
maior autonomia na solicitação de exames, ampliação do número de consultas e
fortalecimento do trabalho em equipe. Também foi mencionada a importância da capacitação dos agentes comunitários de saúde, especialmente para atender
gestantes imigrantes, ampliando a acessibilidade e promovendo equidade. Todos os
participantes reconheceram que o acompanhamento pré-natal adequado contribui
para a detecção precoce de riscos, prevenção de complicações e redução de óbitos
neonatais. A atuação estratégica da enfermagem na APS mostrou-se fundamental
para garantir um pré-natal seguro, resolutivo e centrado na gestante. Apesar dos
avanços, persistem desafios que exigem investimentos na valorização da
enfermagem, na formação permanente e na ampliação da resolutividade dos
serviços. Tais medidas são essenciais para assegurar um cuidado mais eficaz,
equitativo e seguro, com impacto positivo na saúde materno-infantil.
Descrição
Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado para obtenção do grau de Bacharel no curso de Enfermagem da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC.