Testagem rápida de ISTs em adolescentes: Uma análise qualitativa sobre as percepções e práticas dos enfermeiros na APS
Data
Autores
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
A adolescência é uma fase de transformações biopsicossociais que expõe os jovens a vulnerabilidades, incluindo as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). No âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS), os enfermeiros da Estratégia Saúde da Família (ESF) são profissionais centrais no acolhimento e na realização da testagem rápida (TR). Contudo, a abordagem desse público é complexa, permeada por desafios éticos, como o sigilo, lacunas formativas e barreiras institucionais, podendo gerar um "vazio assistencial". Com base nisso, o presente estudo tem como objetivo geral descrever a abordagem dos enfermeiros das Estratégias de Saúde da Família frente ao adolescente em processo de testagem rápida para ISTs na Atenção Primária à Saúde. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, descritiva e exploratória, realizada em Unidades de Estratégia de Saúde da Família no município de Criciúma, SC. A amostra foi composta por 10 enfermeiros atuantes na ESF, selecionados por conveniência, sendo o critério de encerramento a saturação teórica. Os dados foram coletados por meio de entrevistas individuais, presenciais e gravadas, com base em um roteiro semiestruturado, e a análise foi realizada seguindo a técnica de análise de conteúdo proposta por Bardin. Como resultado, emergiram cinco categorias centrais. Evidenciou-se que a prática é marcada pela ausência de diretrizes e protocolos específicos para o público adolescente, levando os profissionais a atuarem com base no improviso. Esta lacuna, somada a uma formação acadêmica "adultocêntrica" e tecnicista, gera profunda insegurança profissional, cujo principal expoente é o dilema ético sobre o sigilo e a autonomia do adolescente. Para superar essas barreiras, os enfermeiros recorrem à escuta qualificada e ao diálogo como principais ferramentas para a construção do vínculo. Por fim, foi identificada uma crescente resistência na intersetorialidade, especialmente com as escolas, que por barreiras político-morais, dificultam ações de prevenção coletiva. O estudo conclui que existe um "vazio assistencial", reforçando a necessidade de protocolos institucionais e de estratégias de educação permanente para qualificar o cuidado ao adolescente na APS.
Descrição
Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado para obtenção do grau de Bacharel em Enfermagem no curso de Enfermagem da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC.