Vulnerabilidade de pacientes idosos frente ao avanço tecnológico e o acesso à Atenção Primária: desafios de uma plataforma de agendamento
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O avanço das tecnologias digitais na saúde tem promovido importantes transformações na organização dos serviços da Atenção Primária à Saúde (APS). Entretanto, a crescente informatização dos processos assistenciais pode representar um fator de vulnerabilidade para a população idosa, especialmente diante das dificuldades relacionadas ao letramento digital, ao acesso às tecnologias e às limitações decorrentes do envelhecimento. Este estudo teve como objetivo analisar a vulnerabilidade dos idosos frente aos avanços tecnológicos no acesso à Atenção Primária, com enfoque na utilização da plataforma de agendamento e dos serviços de TeleSaúde® no município de Criciúma, Santa Catarina. Trata-se de uma pesquisa descritiva e analítica, de abordagem quantitativa, realizada por meio de entrevistas presenciais e individuais com 107 idosos cadastrados nas unidades de Atenção Primária à Saúde do município. A coleta de dados ocorreu mediante aplicação de um questionário estruturado, contemplando variáveis sociodemográficas, condições de saúde, acesso às tecnologias digitais, utilização dos serviços de TeleSaúde® e dificuldades encontradas no uso das plataformas digitais. Os dados foram organizados em planilhas eletrônicas e submetidos à análise estatística descritiva, utilizando frequências absolutas e relativas, medidas de tendência central e dispersão, além de testes de associação quando pertinentes. Os resultados evidenciaram que parcela expressiva dos participantes apresentou limitações no acesso e na utilização das ferramentas digitais, principalmente em relação ao agendamento eletrônico de consultas e à renovação de receitas, sendo a baixa escolaridade, a idade mais avançada e a dependência de terceiros fatores associados às maiores dificuldades de utilização. Observou-se ainda que, embora o TeleSaúde® representa um importante avanço para a organização da assistência, sua implementação pode ampliar desigualdades quando não acompanhada de estratégias de inclusão digital, educação em saúde e manutenção de alternativas presenciais de acesso aos serviços. Conclui-se que a transformação digital na APS deve ocorrer de forma inclusiva, respeitando as especificidades da população idosa e fortalecendo ações que promovam autonomia, equidade e acesso universal aos serviços de saúde.
Descrição
Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado para obtenção do grau de bacharel no curso de enfermagem da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC.