Estudo do impacto da endotoxemia durante a infância em ratos Wistar expostos ao modelo de traumatismo cranioencefálico na vida adulta

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O traumatismo cranioencefálico (TCE) causa uma resposta inflamatória complexa, entretanto, ainda não há respostas de como o sistema nervoso central (SNC) responde frente a um trauma, quando esse é exposto a um evento desencadeador de memória imunológica previamente. Dessa forma, o objetivo do presente estudo foi avaliar os parâmetros imunoquímicos e comportamentais 10 dias após o modelo animal de TCE em ratos Wistar adultos submetidos ao desafio imune com lipopolissacarídeo (LPS) durante a infância. Para isso foram utilizados 40 ratos machos da espécie Rattus norvegicus (Wistar), divididos em 4 grupos de 10 animais (controle/salina, controle/LPS, TCE/salina, TCE/LPS). Aos 14 dias de vida os ratos dos grupos com LPS (n = 20) receberam uma dose diária de LPS (100 μg/kg) via intraperitoneal, até o 18° dia de vida. Posteriormente, aos 60 dias de vida, os mesmos animais foram induzidos ao modelo de TCE leve (n = 20). Após 10 dias, foram realizados testes comportamentais de habituação ao campo aberto e reconhecimento de novos objetos e análise de citocinas. Os animais do grupo TCE/salina não apresentaram diferença entre as sessões treino e teste, demonstrando comprometimento da memória de habituação entretanto nos grupos controle/salina, controle/LPS e TCE/LPS houve diferença entre as sessões, demonstrando preservação de memória de habituação nesses animais. No teste de reconhecimento de novos objetos, os animais do grupo controle/salina e controle/LPS apresentaram um alto índice de reconhecimento do objeto novo na sessão teste comparado à sessão treino, o que indica retenção da memória de longo prazo, já os animais do grupo TCE/salina e TCE/LPS não gastaram um tempo significativamente maior explorando o objeto novo, indicando prejuízo de memória de longo prazo. Nas amostras de citocinas, os níveis de TNF-α foram maiores no grupo TCE/salina do que no grupo controle/salina, porém foram reduzidos nos animais TCE/LPS na infância. No córtex frontal, não houve diferenças significativas nos níveis de TNF-α entre os grupos. Os níveis de IL-1β foram maiores em ambas estruturas cerebrais do grupo TCE/salina em relação ao controle/salina, com redução apenas no hipocampo do grupo TCE/LPS. IL-6 aumentou no córtex frontal do grupo TCE/salina, mas diminuiu no grupo TCE/LPS. Os níveis de IL-10 foram menores nos grupos controle/LPS, TCE/salina e TCE/LPS em ambas as regiões, em comparação ao controle/salina. Conclui-se que o LPS possui efeito modulador da resposta inflamatória do sistema imunológico cerebral desencadeada pelo TCE e esse efeito pode contribuir para uma melhora das características comportamentais, além de diminuir sequelas cognitivas.

Descrição

Artigo submetido ao Curso de Medicina da UNESC como requisito parcial para obtenção do Título de Bacharel em Medicina.

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