Suicídio na população médica ao longo de uma década nas regiões Sul e Sudeste do Brasil
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É sabido que a população médica possui risco elevado para transtornos mentais e suicídio. No entanto, há escassez de estudos sobre o tema no Brasil, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. Objetivo: Estimar prevalência, incidência e fatores associados ao suicídio na população médica das regiões Sul e Sudeste do Brasil entre 2013 e 2022. Métodos: Estudo baseado em dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). A principal variável de interesse foi a “causa básica de morte” de óbitos por residência classificados pela CID-10 como lesões autoprovocadas intencionalmente (X60 a X84), além de variáveis sociodemográficas. A população em estudo totalizou 13.225 médicos. Resultados: Dos 256 suicídios, 72,7% eram homens, predominando a faixa etária de 30 a 39 anos (23,4%). Métodos violentos destacaram-se (67,7%), especialmente enforcamento (24,2%) e precipitação de lugar elevado (21,1%). Mulheres foram associadas ao autoenvenamento (p<0,001). O estado civil solteiro foi associado ao suicídio em médicas, ao passo que o estado civil casado foi associado ao suicídio em médicos (p=0,002). O Rio Grande do Sul associou-se ao autoenvenenamento (21,6%; p=0,048) e o Rio de Janeiro a métodos violentos (19,0%; p=0,040). Santa Catarina teve a maior prevalência no período (40,01 em 2013). Conclusão: Os índices de suicídio apresentaram variação regional e temporal, com picos relevantes no Espírito Santo e Santa Catarina, sendo necessárias estratégias preventivas. Limitações incluem a falta de dados demográficos
completos e a subnotificação de suicídios. Estudos futuros podem contribuir para a compreensão dos fatores de risco para suicídio e orientar políticas voltadas à saúde mental desses profissionais.
Descrição
Artigo submetido ao Curso de Medicina da UNESC como requisito parcial para obtenção do Título de Bacharel em Medicina.