Etnicidade e políticas públicas de turismo: o discurso de italianidade na gastronomia e culinária do município de Nova Veneza – SC 1991-2024
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O presente trabalho faz uma análise a respeito da culinária e gastronomia consideradas “típicas” do município de Nova Veneza (SC), entendendo-as como construções culturais que expressam valores, tradições e memórias coletivas. Parte-se da ideia de que o “típico” constitui um discurso de afirmação identitária, especialmente em contextos marcados pela imigração italiana no sul catarinense. Fundamentado em Hall (2014), Barth (2000), Montanari (2008), Bourdieu (1989) e Hobsbawm (2024), o estudo compreende as identidades culturais como produtos de processos históricos e discursivos em constante negociação, nos quais a gastronomia atua como mediadora entre memória e representação. Em Nova Veneza, o “típico” é construído pela seleção e legitimação de elementos alimentares transformados em símbolos identitários e patrimoniais. Mais do que receitas, envolve narrativas que hierarquizam práticas e reforçam pertencimentos, configurando fronteiras culturais e distinções simbólicas. A culinária local, frequentemente apresentada como herança da imigração italiana, constitui um campo de disputas simbólicas em que tradição e autenticidade são continuamente reinventadas para atender demandas identitárias e turísticas. Assim, o “típico” na gastronomia funciona simultaneamente como marcador cultural e mercadoria simbólica, articulando dimensões culturais, econômicas e políticas, e consolidando Nova Veneza como um território de italianidade reinventada.
Descrição
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Socioeconômico da Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Desenvolvimento Socioeconômico